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Evangelho

O Mestre da Sensibilidade - Augusto Cury


Atualizado: 22/02/18

O Mestre da Sensibilidade - capítulo 10
O cálice de Cristo
182 - Dois pensamentos inesperados – parte 2
 
Jesus era veementemente contra qualquer tipo de violência. Aceitava colocar sua vida em risco, mas protegia as pessoas ao seu redor, até os seus opositores, e por isso conteve a agressão de Pedro aos soldados que o prendiam. Todavia, sua fama aumentava cada vez mais. Já não conseguia andar com liberdade. As pessoas o espremiam por onde ele passava.
Naquela época, alguns judeus, querendo matá-lo, chegaram até a usar uma mulher como armadilha. Flagrada em adultério, ela ia ser apedrejada se não fosse a exímia sabedoria e ousadia de Jesus expressa na frase: “Quem não tem pecado atire a primeira pedra” (João 8:7). Aqueles homens sedentos de sangue foram então obrigados a se interiorizar e a repensar sua violência.
Quando os gregos pediram a um de seus discípulos para encontrar Jesus, este lhes disse: “Minha alma está agora conturbada. Que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim” (João 12:27). Aqui, quando pensou no seu martírio, mencionou que estava angustiado. No entanto, naquele momento, ele sentiu apenas uma pequena amostra da angústia que sofreria dias depois no Getsêmani. Logo se refez e os discípulos não perceberam a sua breve dor.
Naquela situação, ele ainda demonstrava ser inabalável, pois discorreu sobre o julgamento do mundo. Também descreveu o tipo de morte que teria, dizendo: “Quando eu for elevado da terra” (João 12:32). Ser “elevado da terra” significava ser crucificado. Colocou-se como a luz que resplandece nos bastidores da mente e do espírito humano. Disse: “Ainda por pouco tempo a luz está entre vós” (João 12:35). E, além disso, em vez de pedir, como no Getsêmani, “Pai, se possível afasta de mim este cálice”, afirmou: “Mas foi precisamente para esta hora que eu vim” (João 12:27).
Morrer pela humanidade era sua meta fundamental, nada o desviaria desse objetivo. Por que então, dias depois no Getsêmani, ele mudou seu discurso e suplicou ao Pai que afastasse dele o cálice? Naquele jardim, a morte batia-lhe à porta. Dentro de doze horas ele seria crucificado. Mudou então de atitude porque assumiu plenamente sua condição de homem.
Se Cristo sofresse e morresse como filho de Deus, jamais poderíamos aprender algo com suas experiências, pois somos pessoas frágeis, inseguras e com enorme dificuldade para lidar com nossas misérias. Mas como morreu como filho do homem, podemos extrair do seu caos profundas lições de vida.
Naquele momento chegou a dizer uma frase interessante: “O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26:41). Seu ser interior, “seu espírito”, estava preparado para morrer, pois era forte, estável e determinado. Porém, seu ser exterior, “sua carne”, era frágil, fraca e sujeita a transtornos quase que incontroláveis em determinadas situações, como ocorre com qualquer ser humano.
Dizer que a carne é fraca significa dizer que o corpo físico, embora complexo, está sujeito a frio, fome, dor, alterações metabólicas. Indica que há uma unidade entre a psique (alma) e a vida física (bios) e que essa vida, por meio dos instintos, prevalece muitas vezes sobre a psique, principalmente quando estamos tensos ou vivenciando qualquer tipo de dor.
O mestre tinha razão. Notem que um pequeno estado febril é capaz de nos abater emocionalmente. Uma cólica intestinal pode turvar nossos pensamentos. Uma ofensa em público tem o poder de travar a coordenação de nossas ideias. Uma enxaqueca pode nos tornar irritáveis e intolerantes com as pessoas que mais amamos.
Eu me alegro ao analisar um homem que teve a coragem de dizer que estava profundamente angustiado e que teve a autenticidade de clamar a Deus para que afastasse dele o seu martírio. Se tudo em sua vida fosse sobrenatural, não haveria beleza e sensibilidade, pois eu sou sujeito a angústias, meus pacientes são sujeitos a transtornos psíquicos, e todos nós somos sujeitos a erros e dificuldades.
Os homens gostam de ser deuses, mas aquele que se colocava como filho de Deus gostava de ser homem.
 

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