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Evangelho

O Mestre da Sensibilidade - Augusto Cury


Atualizado: 19/04/18

O Mestre da Sensibilidade - capítulo 11
A criatura humana como ser insubstituível
190 - A sensibilidade e a hipersensibilidade  - parte 2
 
O mestre de Nazaré desenvolveu a sensibilidade emocional no seu sentido mais pleno. Nele, ela se tornou, mais do que uma característica da personalidade, uma arte poética. Era afetuoso, observador, criativo, detalhista, perspicaz, arguto, sutil. Usufruía os pequenos eventos da vida e, ainda por cima, conseguia perceber os sentimentos mais ocultos naqueles que o cercavam. Via encanto numa viúva pobre e percebia as emoções represadas numa prostituta.
Cristo foi o mestre da sensibilidade. Treinou sua sensibilidade desde criança. À medida que crescia em sabedoria, desenvolvia uma emoção sutil e uma inteligência refinada, o que lhe dava uma habilidade psicoterápica impressionante, a de perscrutar os pensamentos não verbalizados e se adiantar às emoções não expressas.
Por que, quando adulto, ele se tornou um exímio contador de histórias? Porque, na infância e na juventude, a rotina e o tédio não cruzaram sua vida. Enquanto os meninos e até os adultos de sua época viviam superficialmente, como meros passantes, ele penetrava e refletia nos mínimos detalhes dos fenômenos que o rodeavam. Devia olhar para o céu e compor poesias sobre as estrelas. Certamente despendia um longo tempo contemplando e admirando as flores dos campos. Os lírios cativavam seus olhos e as aves do céu o inspiravam (Mateus 6:26- 28). Até o canto dos pardais, que perturba ao entardecer, soava como música aos seus ouvidos. O comportamento das ovelhas e os movimentos dos pastores não passavam despercebidos para esse poeta da vida.
Por ser um exímio observador, o mestre da sensibilidade se tornou um excelente contador de histórias e de parábolas. Suas histórias curtas e cheias de significado continham todos os elementos que ele contemplou, admirou e selecionou ao longo da vida. Morreu jovem - tinha pouco mais de trinta anos -, mas acumulou em sua humanidade uma sabedoria que o mundo acadêmico ainda não incorporou.
A vida não o privilegiou com fartura material, mas ele extraiu riqueza da miséria. Rompeu os parâmetros da matemática financeira; era riquíssimo, embora não tivesse onde reclinar a cabeça. Mergulhou desde a meninice num ambiente estressante, mas expressou a mansidão e a lucidez do seu “deserto”. Tornou- se tão manso e calmo que, quando adulto, considerou-se a própria matriz da tranquilidade. Por isso, fez ecoar nos tensos territórios da Judeia e da Galileia um convite nunca antes ouvido: “Aprendei de mim porque sou manso e humilde de coração”. (Mateus 11:27). Nossa paciência é instável e circunstancial, mas a dele era estável e contagiante. Aqueles que o seguiam de perto não sentiam temores nem abalos emocionais.
Sua sensibilidade era tão arguta que quando uma pessoa sofria ao seu lado, ele era o primeiro a perceber e a procurar aliviá-la. As dores e as necessidades dos outros mexiam com as raízes do seu ser. Tudo o que tinha, repartia. Era um antiindividualista por excelência.
Cristo tinha uma amabilidade surpreendente. Freud excluiu da família psicanalítica os que pensavam contrariamente às suas ideias, mas o mestre de Nazaré não excluiu da sua história aquele que o traiu nem aquele que o negou. As pessoas podiam abandoná-lo, mas ele jamais desistia de alguém.
Era de se esperar que pelo fato de ter desenvolvido o mais alto nível de sensibilidade, Cristo tivesse todos os sintomas da hipersensibilidade. Ao contrário, ele conseguiu reunir na mesma orquestra da vida duas características quase irreconciliáveis: a sensibilidade e a proteção emocional. Cuidava dos outros como ninguém, mas não deixava a dor deles invadir sua alma. Vivia no meio dos seus opositores, mas sabia se proteger, por isso não se abatia quando era desprezado ou injuriado. Conseguia mesclar a segurança com a docilidade, a ousadia com a simplicidade, o poder com a capacidade de apreciar os pequenos detalhes da vida.

 

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