Qui, 17 de Agosto de 2017
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Evangelho

O Mestre da Sensibilidade - Augusto Cury

O Mestre da Sensibilidade

de Augusto Jorge Cury
Coleção: Análise da Inteligência de Cristo
 

O Mestre da Sensibilidade - capítulo 7
 
A dor causada por seus amigos
161- Não foi confortado pelos amigos

 
 
Pedro, Tiago e João eram homens fortes, acostumados a passar a noite no mar. Dificilmente algo os abalava. Todavia, Jesus cruzou suas histórias e os fez enxergar a vida por outra perspectiva. O mundo passou a ter uma nova dimensão. O mestre de Nazaré lhes havia ensinado a arte de amar e discursado amplamente sobre um reino onde não haveria mais morte, dor ou tristeza. Entretanto, quando ele disse que sua alma estava profundamente angustiada, uma avalanche de ideias negativas solapou a mente dos discípulos. Parecia que o sonho tinha acabado. Os olhos deles ficaram “pesados”, mergulharam num sono incontido.
Após ter dito essas palavras, Jesus se afastou algumas dezenas de metros dos seus amigos e foi ficar só. Queria se interiorizar, orar e refletir sobre o drama por que passaria. Depois da primeira hora de oração, veio ver os seus, mas os achou dormindo. Apesar de frustrado, não foi intolerante com eles. Acordou-os afavelmente. É difícil entender tamanha gentileza diante de tanta frustração. Deveria ter ficado irritado com eles e censurado sua fragilidade, mas foi amável. Provavelmente nem queria despertá-los, mas precisava treiná-los para enfrentar as dificuldades da vida, queria fazê-los fortes para lidar com as dores da existência.
Muitos de nós somos intolerantes quando as pessoas nos frustram. Não admitimos seus erros, não aceitamos suas dificuldades, nem a lentidão em aprender determinadas lições. Esgotamos nossa paciência quando o comportamento dos outros não corresponde às nossas expectativas. O mestre era diferente, nunca desanimava diante dos seus amados discípulos, nunca perdia a esperança neles, ainda que o decepcionassem intensamente. Com o mestre da escola da vida aprendemos que a maturidade de uma pessoa não é medida pela cultura e eloquência que possui, mas pela esperança e paciência que transborda, pela capacidade de estimular as pessoas a usarem os seus erros como tijolos da sabedoria.
Ao despertá-los, Jesus indagou a Pedro: “Nem por uma hora pudeste vigiar comigo” (Mateus 26:40). É como se ele quisesse transmitir ao seu ousado discípulo: “Você me disse, há algumas horas, que se fosse necessário até morreria por mim. Entretanto, só pedi para você ficar junto comigo na minha dor, e você nem por uma hora conseguiu?” Essa observação poderia provocar em Pedro este pensamento: “Eu mais uma vez decepcionei o mestre, e ele mais uma vez foi gentil comigo. Eu merecia ser repreendido seriamente, mas ele apenas me levou a refletir sobre minhas limitações...” Depois disso, Cristo retornou à viagem que fazia ao seu próprio interior. Foi novamente orar.
O sono que acometeu os discípulos foi a primeira frustração de Cristo. Ele se dera muito a eles, sem nunca ter pedido nada para si. Na primeira vez que lhes pediu algo, dormiram. Não pediu muito, apenas que ficassem junto dele na sua dor. Portanto, no momento em que mais precisava de seus amigos, eles ficaram fora de cena. No único momento em que esperava que fossem fortes, eles foram vencidos pelo estresse.
Na segunda hora, Jesus foi novamente até seus discípulos e outra vez os encontrou dormindo. Mas dessa vez nada lhes disse, apenas os deixou continuarem em seu sono. Solitário, foi em busca do seu Pai. Na terceira hora, algo aconteceu. O momento de ser preso chegara.
 

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