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Evangelho

O Mestre da Sensibilidade - Augusto Cury


Atualizado: 30/11/17

O Mestre da Sensibilidade - capítulo 9
176 - A diferença entre a depressão e uma reação depressiva

 
A diferença entre uma doença depressiva e uma reação depressiva não está ligada frequentemente à quantidade nem à intensidade dos sintomas, mas principalmente à durabilidade deles.
Uma reação depressiva é momentânea, dura horas ou, no máximo, alguns dias. Permanece enquanto está presente o estímulo estressante ou enquanto a pessoa não se psicoadapta a ele. Os estímulos podem ser uma ofensa, uma humilhação pública, a perda do emprego, de um ente querido, a separação conjugal, um acidente, uma doença. Com a psicoadaptação ou a remoção desses estímulos, ocorre uma desaceleração dos pensamentos e a reorganização da energia emocional, trazendo de volta o prazer de viver.
Se os sintomas de uma reação depressiva perduram por mais tempo, então se instala uma doença depressiva que chamo de depressão reacional. Esta durará uma semana, duas ou mais tempo, dependendo do sucesso do tratamento.
Qual o mecanismo psicodinâmico que gera uma reação depressiva ou um transtorno ansioso? O mestre de Nazaré era uma pessoa tão afinada com a arte de pensar e tão madura na capacidade de proteger a sua emoção, que ele compreendia de maneira cristalina o mecanismo que vou sinteticamente expor.
O fenômeno RAM (registro automático da memória) grava na memória todas as experiências que transitam em nossas mentes. Num computador, escolhemos as informações que queremos guardar, mas na memória humana não há essa opção. Por que não temos essa opção? Porque se a tivéssemos, poderíamos ter a chance de produzir o suicídio da inteligência. Seria possível, numa crise emocional, destruir os arquivos da memória que estimulam a construção de pensamentos. Nesse caso, perderíamos a consciência de quem somos e de onde estamos. E, assim, o tudo e o nada seriam a mesma coisa, inexistiríamos como seres pensantes. (*)
(*) Cury, Augusto J. Inteligência multifocal. São Paulo: Cultrix, 1998.
Tudo o que pensamos e sentimos é registrado automática e involuntariamente pelo fenômeno RAM. Esse fenômeno tem mais afinidade com as experiências com mais “volume” emocional, ou seja, registra-as de maneira mais privilegiada. Por isso, “recordamos” com mais facilidade as experiências que nos causaram tristezas ou alegrias intensas.
Em uma pessoa desprovida de proteção emocional, as experiências angustiantes produzidas pelos estímulos estressantes são gravadas de maneira privilegiada na memória, ficando, portanto, mais disponíveis para serem lidas. Uma vez lidas, geram novas cadeias de pensamentos negativos e novas emoções tensas. Assim, fecha-se o ciclo psicodinâmico que gera determinados transtornos psíquicos, inclusive o TOC.
Cuidamos da higiene bucal, do barulho do carro, do vazamento de água, mas não cuidamos da qualidade dos pensamentos e emoções que transitam em nossas mentes. Estes, uma vez arquivados, nunca mais podem ser deletados, somente reescritos. Por isso, o tratamento psiquiátrico e psicoterápico não é cirúrgico, mas um lento processo. Da mesma forma, também é difícil, mas não impossível, mudar as características de nossa personalidade.
É mais fácil, como Cristo fazia, proteger a emoção ou reciclá-la rapidamente no momento em que a vivemos do que reescre-vê-la depois de guardada nos arquivos inconscientes da memória. Ele gozava de uma saúde emocional impressionante, pois superava continuamente as ofensas, as dificuldades e as frustrações. Portanto, o fenômeno RAM não registrava experiências negativas em sua memória, pois ele simplesmente não as produzia em sua mente.
Cristo não fazia de sua memória um depósito de lixo, pois não conseguia guardar mágoa de ninguém. Podia ser ofendido e injuriado, mas as ofensas não invadiam o território da sua emoção. A psicologia do perdão que ele amplamente divulgava não apenas aliviava as pessoas perdoadas, mas as transformava em pessoas livres e tranquilas.
Mesmo quando seu amigo Lázaro morreu, ele não ficou desesperado nem correu para realizar mais um dos seus milagres. Fazia tudo com serenidade, sem desespero e no tempo certo. Não conheço ninguém que possua a estrutura emocional que ele teve.
Tenho estudado exaustivamente uma síndrome que descobri. (*) Essa síndrome se instala no processo de formação da personalidade e tem uma grande incidência na população em geral. A síndrome tri-hiper apresenta três características hiper-desenvolvidas na personalidade: hipersensibilidade emocional, hiperconstrução de pensamentos e hiperpreocupação com a imagem social.
(*) Cury, Augusto J. Superando o cárcere da emoção. São Paulo: Academia de Inteligência, 2000.
A hipersensibilidade emocional se expressa por uma enorme desproteção emocional. Pequenos problemas causam um impacto emocional muito grande. Uma ofensa é capaz de estragar o dia ou a semana da pessoa a quem ela foi dirigida.
A hiperconstrução de pensamentos se caracteriza por uma produção excessiva de pensamentos. Pensamentos antecipatórios, ruminação de pensamentos sobre o passado, pensamentos sobre os problemas existenciais. A consequência da hiperprodução de pensamentos é um grande desgaste de energia cerebral.
A hiperpreocupação com a imagem social se manifesta por uma preocupação angustiante com o que os outros pensam e falam a nosso respeito. Tal característica faz com que a pessoa administre mal todo tipo de crítica e rejeição social. Um olhar de desaprovação é capaz de causar-lhe uma ansiedade intensa.
Nem todos têm os três pilares dessa síndrome, mas ela costuma acometer as melhores pessoas da sociedade. São boas para os outros e péssimas para si mesmas. Realmente creio que essa síndrome tem mais possibilidade de desencadear uma doença depressiva ou ansiosa do que a predisposição genética.
Cristo era um exímio pensador, mas não pensava excessivamente nem divagava nas ideias. Não gastava energia mental com coisas inúteis. Preocupava-se intensamente com a dor humana, mas não se importava com sua imagem social, com o conceito que tinham sobre ele. Por diversas vezes houve discussão entre os seus opositores sobre quem ele era, qual a sua identidade. Ocorriam debates acalorados sobre o que fazer com ele.
O mestre sabia que tencionavam prendê-lo e matá-lo, mas, embora contagiasse as multidões com sua amabilidade e gentileza, era ao mesmo tempo sólido e seguro. Portanto, não era portador da síndrome tri-hiper. Isso explica por que ele transitava ileso pelos vagalhões da vida.
 

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