Sáb, 24 de Fevereiro de 2018
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Renuniões Públicas
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Nas Pegadas do Mestre

Pedro de Camargo (Vinicius)

Atualizado: 24/02/2018

Nas Pegadas do Mestre – Pedro de Camargo (Vinicius)
55- O problema da orfandade
 
“Não vos deixarei órfãos: eu voltarei a vós”. (JOÃO, 14:18.)
 
A orfandade caracteriza-se pela privação de assistência, pela ausência de todo o interesse, em suma, pelo abandono em que a criança se encontre, e não propriamente pela perda dos pais. Existem órfãos cujos pais vivem ainda, e há crianças que jamais passaram pelo duro transe da orfandade, a despeito de não haverem conhecido seus pais.
A promessa de Jesus, acima transcrita, tem-se cumprido fielmente. Ele jamais deixou de assistir seus discípulos através de todos os tempos. O evento do Espiritismo é uma prova eloquente da assistência do Senhor junto dos que procuram seguir-lhe as pegadas.
Só a ausência do amor determina a orfandade; e, ao mesmo tempo, só a presença do amor a pode extinguir. A orfandade está para o amor como as trevas estão para a luz: um elemento é incompatível com o outro, não podem subsistir ambos ao mesmo tempo.
Ser mãe não é gerar filhos. Ser mãe é amar a infância. Mãe é uma expressão que significa carinho, dedicação, desvelo, sacrifício. Para que a criança não se encontre órfã, não basta que ela tenha ao seu lado a mulher que a gerou: é preciso que essa mulher seja sua mãe.
Pai, a seu turno, quer dizer previdência e providência. Além de longâmine e misericordioso, ele prevê e provê o bem da mocidade.
Na Terra existe a orfandade, no que respeita às crianças abandonadas, porque os homens vivem divorciados da moral evangélica, completamente alheios aos ensinos e às exemplificações do Mestre divino. A orfandade atesta a ausência de Cristianismo nos corações e nos lares. Só os lares cristianizados resolverão o problema orfanológico.
Os asilos e orfanatos jamais extinguirão a orfandade, antes contribuirão para perpetuá-la. A criança asilada continua órfã. O estabelecimento que a acolhe, sua peculiar organização e disposição, os regulamentos, o meio, o modus vivendi, tudo ali contribuirá para que a criança tenha sempre em mente sua condição de órfã. O reverso se dará se ela for adotada por um lar cristão. A vida familiar, o convívio íntimo com seus pais adotivos e, sobretudo, a posição de filha que lhe é outorgada, depressa varrerá de sua imaginação a ideia de orfandade, porque, de fato, esse estigma terá desaparecido ao doce e suave bafejo do amor. Asilos, como cárceres, são males necessários; atendem a uma necessidade transitória, se bem que indispensável no momento, atestando, não a caridade como erroneamente se imagina, mas a dureza de coração dos filhos deste século.
É inominável crueldade, é aberração dos mais comezinhos princípios de Humanidade, a cena contristadora que se nos oferece a cada passo, nessas crianças maltrapilhas, perambulando pelas ruas, sem pão, sem lar e sem afeto, no seio duma sociedade como a nossa, onde há tanta riqueza, tanto fausto e tanta pompa; no seio duma sociedade onde se ostentam luxuosos solares e “vilas” em cujos recintos, por vezes, não se vê desabrochar o sorriso duma criança, mas se veem, em compensação, cães de raça comendo à mesa, servidos por lacaios de libré; no seio duma sociedade onde, ao lado dos jardins, das praças, dos palácios e dos monumentos, se erguem soberbas catedrais em honra daquele que disse: “Deixai vir a mim os pequeninos, pois dos tais é o Reino dos Céus”.
Nunca se viu pássaro sem ninho, nem fera sem covil. Só na sociedade dos homens se veem seus próprios filhos desabrigados, expostos aos rigores das intempéries e a toda a sorte de influências malsãs. Voltemos nossas vistas para nossos lares. O lar é tudo: é a verdadeira escola, é o verdadeiro templo. Cristianizemos os lares: de tal depende o problema da orfandade, da miséria, da enfermidade, do vício, do crime e de todos os flagelos da Humanidade.
 

Nas Pegadas Mestre