Sáb, 12 de Agosto de 2017
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Renuniões Públicas
Tarde 2ª, 3ª, 4ª, 6ª e Sábado: das 14hs30 às 16hs00
Noite 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª das 20hs30 às 21hs30 
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Nas Pegadas do Mestre

Pedro de Camargo (Vinicius)

Nas Pegadas do Mestre – Pedro de Camargo (Vinicius)
33- O Céu de Jesus

 
O Cristianismo diverge de todas as demais religiões. É fruto de uma revelação contínua, progressiva, eclética, enquanto as outras são concepções humanas, cristalizadas em postulados e fórmulas, cujo valor e prestígio refulgem em dada época, esmaecendo e ofuscando-se depois, à medida que a razão humana vai firmando o seu império.
Jesus é a Luz do mundo. O Cristianismo é um sol que não tem ocaso; acompanha a Humanidade em sua evolução, cujo surto, através dos séculos, determina, regula e promove, mantendo o espírito do homem em constante novidade de vida.
O Céu de Jesus Cristo é diferente de todos os outros Céus. Nada tem de comum com os Campos Elísios dos gregos, nem com o Nirvana dos hindus, nem com o seio de Abraão dos judeus, nem com a mansão dos privilegiados da graça, nem com os tabernáculos de beatitude inerme, cujas portas se abrem mercê de cerimônias mercantilizadas.
O Céu de Jesus Cristo é um campo de ação, e um teatro de atividade, é um meio onde a vida se ostenta sob aspectos cada vez mais intensos.
E, por ser assim, ele o compara, em seu Evangelho, com a semente e com o fermento. A semente contém em seu âmago fortes energias latentes, que só aguardam ocasião propícia para entrar em ação. O fermento, a seu turno, é uma força condensada que leveda, que põe em atividade a massa em cujo seio é introduzida, determinando seu crescimento. A semente e o fermento são, pois, imagens, de potências ocultas, de poderes latentes, tal como se verifica no espírito do homem.
O Céu de Jesus é o reinado do Espírito, é o estado da alma livre, que, emancipando-se do cativeiro animal, ergue altaneiro voo sem encontrar mais obstáculos ou peias que a restrinjam.
Jesus assemelhou também o Céu à parábola dos talentos (moedas), onde figura certo senhorio afazendado, distribuindo entre seus servos, consoante a capacidade de cada um, determinadas importâncias em dinheiro. Decorrido algum tempo, o senhor chama esses servos à prestação de contas. Eles atendem, apresentando o fruto dos seus labores.
O que havia recebido dez moedas entrega vinte, sendo as outras dez o produto do emprego dado ao capital recebido. O que recebeu cinco e o que recebeu duas moedas fizeram o mesmo.
Aquele, porém, que havia recebido uma só, trouxe-a desacompanhada de lucro, alegando incompetência e receio de a pôr em giro. O senhor louva o proceder dos primeiros, prometendo confiar-lhes, oportunamente, maiores somas; e censura o último pela sua negligência e ociosidade.
Tal a ideia do Céu, que o Filho de Deus nos dá, nesse apólogo, e em outros congêneres. Semelhante Céu, como se vê, é o contraste dos outros Céus, visto como, longe de ser a região da inércia, da estagnação e da beatitude passiva, é um meio de ação, de atividade franca, de porfia acirrada na conquista dum bem maior, dum estado melhor cujo antegozo nos vai sendo dado fruir desde logo, à guisa de incentivo.
Qual a consciência livre, qual a razão esclarecida capaz de trocar este Céu, o Céu de Jesus Cristo, pelo Céu de qualquer das religiões do mundo?
Qual a inteligência lúcida, qual o senso amadurecido na experiência da vida, capaz de trocar a verdade encarnada no Ungido de Deus, pelas fantasias e quimeras forjadas pelas paixões humanas?  

Nas Pegadas Mestre