Sáb, 14 de Julho de 2018
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Nas Pegadas do Mestre

Pedro de Camargo (Vinicius)



Atualizado: 14/07/2018


Nas Pegadas do Mestre – Pedro de Camargo (Vinicius)
72- Lázaro e o rico 

“Havia um homem rico, vestido de púrpura e linho, que se banqueteava esplendidamente todos os dias. Havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que costumava deitar-se à sua porta, desejando fartar-se das migalhas que de tão lauta mesa caíam, mas ninguém lhas dava; e os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Sucedeu morrer este mendigo. Vieram os anjos e levaram-no ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado no Hades. E, achando-se em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe Abraão e Lázaro em seu seio. E, gritando, disse: ‘Pai Abraão, compadece-te de mim; manda Lázaro que, molhando a ponta do seu dedo, venha refrigerar-me a língua, pois sou atormentado nestas chamas’. Respondeu Abraão: ‘Filho, lembra-te do passado, quando gozavas teus bens, enquanto Lázaro não tinha senão males e dores; por isso, está ele consolado, e tu em tormentos. Demais, entre nós e vós, me- deia um abismo: os de cá não podem transpô-lo, passando para lá, nem os de lá podem fazê-lo, transportando-se para cá’.

Disse então, o rico: 'Eu te rogo, nesse caso, que o mandes a casa de meu pai, onde tenho cinco irmãos, a fim de que os advirta para não suceder virem eles também parar neste lugar de tormentos’. Retorquiu Abraão: ‘Eles têm Moisés e os profetas: ouçam-nos’. ‘Mas’, objetou o rico, ‘se lhes falar algum dentre os mortos, eles atenderão, mudando de caminho’. ‘Não creias’, contestou Abraão: ‘se eles não aceitam as Escrituras, tampouco se persuadirão pela voz dos mortos’ ”. (LUCAS, 16:19 a 31.) 

Vemos representados nesta parábola os dois extremos: opulência e miséria. Ricos e pobres são Espíritos em provação. A indigência é uma prova dura. A riqueza é uma prova perigosa. É mais fácil vencer nas privações e no infortúnio que no fausto e nas grandezas. Por isso Lázaro venceu, e o rico sucumbiu.

A pobreza gera certas virtudes: a paciência, a humildade e a fé; daí as probabilidades de êxito. A riqueza oblitera os sentimentos, desenvolve o egoísmo, acirra o orgulho, tornando o homem licencioso, amigo de bebedices e deleites: daí a origem das falências. A pobreza revigora o caráter, espiritualiza. Os grandes cabedais entibiam, afrouxam a vontade, e animalizam a criatura.
É o que nos ensinam as duas personagens que figuram nesta parábola.
Os Espíritos são submetidos a provas por vários motivos que redundam sempre em benefício deles:
a) para se conhecerem, descobrindo as falhas do caráter, isto é, as qualidades a conquistar e os defeitos a corrigir;
b) para desenvolverem as energias latentes e os atributos de que são dotados, especialmente o da vontade;
c) para terem oportunidades de ascender na senda do progresso, galgando planos elevados.
Lázaro fortificou-se na dor: resistiu, venceu, subiu. O mesmo rico, apesar de sucumbir, tirou sérios proveitos da própria queda. Acordou para a realidade, arrependeu-se, humilhou-se, e mostrou interesse pela sorte dos irmãos; numa palavra: as cordas de seus sentimentos despertaram. Ele viu Lázaro. Não viu os demais.
Certamente não era Lázaro o único habitante da celestial mansão; mas, cumpria que o rico o visse, porque fora sobre ele que incidira a dureza do seu coração. O algoz deve ver e reconhecer sua vítima.
Os efeitos de nosso proceder durante a existência atual vão refletir-se na outra vida. O rico banqueteava-se, ria, folgava. Lázaro gemia, chorava resignadamente. Vem a morte e a ambos arrebata, porque a morte é inexorável. O corpo para o túmulo, a alma para o juízo.
A consciência é a faculdade que o Espírito possui de refletir sobre si mesmo a luz da Divina Justiça. Cada um traz consigo o seu juiz. Por isso o rico se viu envolvido nas chamas devoradoras do remorso, enquanto Lázaro fruía o repouso do justo.
Semelhantes condições, fruto e consequência de causas opostas, não podiam confundir-se: eram bem distintas.  Daí o dizer de Abraão: Entre nós, medeia um abismo. Abismo de ordem moral, visto como Abraão e o rico se viam e conversavam. Para o Espírito culpado ou falido se reabilitar não basta o arrependimento, que é o primeiro passo a dar; é necessária a reparação. Portanto, o rico não podia ser atendido em seu pedido.
Cumpria-lhe voltar à Terra, e reparar o mal. “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”. “O Pai perdoa, o Filho perdoa, mas o Espírito Santo não perdoa”. A consciência exige que se esgote o cálice do pecado. Só se apaga de todo a lembrança dolorosa do mal praticado, depois de substituída pela reminiscência grata e suave do bem. Eis o que se infere das palavras de Abraão: Os daqui não passam para lá, nem os de lá passam para cá.
Os anjos inspiram os homens quando eles se põem em condições de os receber. Se o orgulho os cega, o egoísmo os embota e a má-fé os envolve, a luz sideral não pode atingi-los. Mister, então, se torna que os desperte a reação forte e dura de suas mesmas ações, como sucedeu ao rico desta parábola. De tal sorte, aquele outro pedido seu não podia ser satisfeito, conquanto ele o fizesse na melhor intenção, porque a Lei não se altera. Seus irmãos não atenderiam à voz de além-túmulo, como não atendiam às Escrituras. Tais são os muitos e relevantes ensinamentos que, à luz da Nova Revelação, transparecem deste belo e sugestivo apólogo de Jesus Cristo. 

Nas Pegadas Mestre