Sáb, 13 de Outubro de 2018
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Sabedoria do Evangelho

Carlos Torres Pastorino



Atualizado: 13/10/2018


VOLUME 3
124) A PÁRABOLA DO SEMEADOR -P2 

Novamente em Cafarnaum, após a "tournée" apostólica, Jesus volta à beira do lago, para novas instruções. As massas O comprimem e, mais uma vez (cfr. Luc. 5:3, vol. 2.º), toma o barco, onde se senta para falar ao povo.

Sendo grande a multidão e multiforme em sua capacidade, Jesus fala por meio de parábolas, esclarecendo, mais adiante, a razão de assim agir. As parábolas são calcadas, de modo, geral, em fatos e situações conhecidas pelos ouvintes, colhidos da vida diária; dado que a maioria dos circunstantes era constituída de lavradores e pescadores, donas de casa e pequenos comerciantes, é dessas profissões que são tirados os exemplos.

Em Marcos, que guardou a narrativa mais pitoresca, a parábola começou com um convite à atenção: ouvi! Vem o exemplo do semeador que espalha suas sementes pelo campo. Este é dividido em quatro partes: três que não dão resultados, e a Quarta produzindo muito fruto.

Os terrenos montanhosos e pedregosos do norte da Galileia, com atalhos batidos a atravessar os campos, com espinheiros e cardos vigorosos a brotar quase espontaneamente, sem que eles dispusessem de meios para total erradicação; com trechos em que a crosta de pedra é rasa, recoberta apenas por delgada camada de terra, oferecia ampla margem de experiência pessoal aos ouvintes, para compreensão da historieta.

Como em todas as parábolas, os dados apresentados não precisam ser rigorosamente exatos, de acordo com a realidade: podem ser exagerados ou diminuídos, de forma a dar maior ênfase a este ou aquele aspecto do ensino. Assim, a modo de exemplo, nenhum campo da Palestina (e nem talvez de outras terras) produz a cem por um (apesar da afirmativa de Gên.26: 12 de que Isaac colhia "cem por um" em Gerase, no Sul de Sefela).

O rendimento normal das sementes vai de quatro a dez por um e mais raramente chega a um resultado ótimo de dez a vinte por um. Também o fato de três quartas partes serem lançadas em terrenos sáfaros, demonstraria incapacidade do semeador, que não saberia escolher a terra boa para aí lançar suas sementes. Ora, isso não corresponde ao espírito do ensinamento, onde se quer salientar a incapacidade de quem recebe, supondo-se perfeita a capacidade de quem semeia.

Volta ao final "quem tem ouvidos, ouça", no sentido de "quem é capaz que entenda". Realmente, através dos ouvidos é que se capta a lição, que vai fixar-se no coração, onde será meditada e assimilada. Mormente naquela época, em que todo aprendizado era feito “de ouvido".

O comentário a este trecho cabe melhor no capítulo em que se trata da interpretação da parábola, algumas páginas adiante.

 

Carlos Torres Pastorino

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Diplomado em Filosofia e Teologia pelo Colégio Internacional S. A. M. Zacarias, em Roma.
Professor Catedrático no Colégio Militar do Rio de Janeiro e Docente no Colégio Pedro II do Rio de Janeiro.

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