Sáb, 21 de Outubro de 2017
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Sabedoria do Evangelho

Carlos Torres Pastorino

Atualizado: 21/10/2017


VOLUME 2
83) AMOR AO PRÓXIMO

 
 
Mat.: 5:43-48
43. Ouvistes o que foi dito: "amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo”.
44. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem,
45. para que vos torneis filhos de vosso Pai que está nos céus, porque ele faz levantar-se seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.
46. Porque se amardes aos que vos amam, que recompensa tendes? Os coletores fiscais também não fazem o mesmo?
47. E se saudardes somente a vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem os gentios também o mesmo?
48. Sede vós, portanto, perfeitos, assim como é perfeito vosso Pai celestial.
Luc. 6:27-28 e 32-36
27. Digo, porém, a vós que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, 28. Abençoai, os que vos amaldiçoam, orai pelos que vos difamam.
32. Se amais aqueles que vos amam, que gratidão mereceis? Pois também os "pecadores" amam aos que os amam.
33. Se fizerdes o bem aos que vos fazem o bem, que gratidão mereceis? Até os "pecadores" fazem isso.
34. E se emprestardes àqueles de quem esperas receber, que gratidão mereceis? Até os "pecadores" emprestam aos "pecadores" para receberem outro tanto.
35. Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem,
e emprestai, sem esperar ressarcimento; e será grande vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, porque ele é bom para com os ingratos e maus.
36. sede misericordiosos, assim como é misericordioso vosso Pai.
 
 
Vem agora o aperfeiçoamento da lei do amor, levada ao máximo. Moisés ordenara: "ama teu próximo como a ti mesmo" (Lev. 19:18) e "ama o estrangeiro e peregrino como a ti mesmo" (Lev. 19:34 e Deut.10:19). No entanto, em diversos trechos dizia-se que deviam ser olhados como inimigos os amonitas e moabitas (Deut. 23:6), os amalecitas (Êx. 17:14 e Deut. 25:19), o que fazia supor que esses povos deviam ser aborrecidos. Embora em Provérbios (26:21-22) já estivesse escrito: "Se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer e se tiver sede, dá-lhe de beber, porque lhe amontoarás brasas vivas sobre a cabeça e YHWH te recompensará", não era esse o hábito entre os israelitas. (Cfr. ainda Prov. 20:22, onde se reprime a vingança. Também em Deut. o 32:35, YHWH reserva para si a vingança e a recompensa, declarando explicitamente a lei do carma e o choque de retorno).
Jesus chega ao clímax de Suas instruções, ordenando que os inimigos devem ser amados, e não apenas perdoados; que se deve fazer bem a quem nos faça o mal (Luc.); que se deve abençoar os que nos amaldiçoam (Luc.) e orar pelos que nos difamam (Luc.) ou perseguem (Mat.), e isto, para seguir o exemplo do Pai, que é PAI DE TODOS e sobre bons e maus faz surgir o sol e vir o benefício das chuvas.
Com esse comportamento, tornar-nos-emos "filhos de Deus", ou seja, DIVINOS, no sentido dado a essa expressão (cfr. vol. I. pág. XIII, desta obra) entre os escritores judeus da época.
 
Com efeito, aí reside a sabedoria o Figurando o mal pelo negativo (-1) e o bem pelo positivo (+1), e o perdão pelo 0 (zero), temos as seguintes equações:
 
(-1)    +       (-1)    =       -2      - mal feito mais mal retribuído = mal duplo
(-1)    +       0        =       -1      - mal feito mais perdão = 1 mal
(-1)    +       (+1)   =       0       - mal feito mais benefício prestado = mal anulado.
 
 
Então, matematicamente se prova que só o bem praticado em favor de quem nos faça o mal é que consegue extirpar a dor e o sofrimento da face da Terra.
Depois vem a comparação com o modo de agir dos indivíduos que, perante os israelitas, eram desclassificados de todo: os publicamos (coletores de impostos, cfr. pág. 88-89) e os "pecadores" (cfr. Acima pág. 92). Todas essas classes, assim como os "pagãos" (isto é, os não-judeus) tem uma atuação humana normal: amam a seus amigos, saúdam seus irmãos, prestam benefícios aos que os ajudam, emprestam quando tem certeza de que receberão ressarcimento ...       Ser igual a eles, não é vantagem. O cristão tem que ser-lhes superior, mais perfeito, com bondade e misericórdia suprema.
Então vem o fecho de Lucas: "sede misericordiosos como o Pai celestial", e o outro, ainda mais rigoroso, de Mateus: "sede PERFEITOS, como perfeito é o Pai celestial".
 
Aqui o ensinamento de Jesus atinge o ápice da perfeição, superando tudo o que os antigos tinham podido ensinar. A lição prossegue no mesmo tom da anterior, mas as verdades são mais explicitamente ensinadas. Trata-se mesmo de amar os inimigos, que são, na realidade, nossos maiores benfeitores, pois nos ajudam a evoluir mais rápida e seguramente, limando nossas arestas, quebrando nossos espinhos, limpando-nos de nossos defeitos.
Está claramente dito que, para ser cristão não basta "fazer como os outros", retribuindo com bondade e gratidão aos benefícios recebidos com alegria para nós; mas retribuindo com a mesma bondade e gratidão aos "benefícios" que recebemos com lágrimas, porque nos fazem sofrer. Indispensável atingir a perfeição absoluta. E ninguém fica isento de aperfeiçoar se: a exigência abarca todos os cristãos.
Neste trecho, um dos mais sublimes dos Evangelhos, Jesus ensina-nos a superar a perfeição humana, e dá-nos como modelo a imitar a perfeição divina.
O Pai celestial constitui a vida de todas as criaturas, boas e más, justas e injustas, santas e criminosas, sábias e ignorantes; e a todos, igualmente, sem distinções, dá o sol e a chuva, o ar para respirar e a Terra para habitar, deixando plena liberdade a todos para que escolham seu próprio caminho. Se a estrada escolhida é errada, não há intervenção divina, nem castigo: o próprio espírito encontrará pela frente a parede da Lei, onde baterá a cabeça e sofrerá a dor, até que aprenda a descobrir onde está a porta que lhe permitirá sair do embaraço.
Nesta Lei do Amor Total sem restrições, baseia-se a evolução, que visa à sintonia perfeita com o Amor-Integral, em atos, palavras e pensamentos. E só a atingiremos, quando tivermos superado todas as emoções, de tal forma que, se ofendidos, não sintamos nenhum movimento de mágoa. Certa que, quanto mais evoluído o ser, mais sentimento possui. Mas não se confunda sentimento com emoção: o primeiro é do Espírito (individualidade) e jamais se ofende nem magoa, porque é inatingível; o segundo é do "espírito", do corpo astral (animal) e vibra na personalidade. Então, todas as desculpas de "brio", de "amor-próprio", de "honra" ou "honorabilidade", de títulos e posições hierárquicas e nobiliárquicas, são ilusões que precisamos abolir totalmente, superar integralmente, e nem sequer senti-las.
Enquanto experimentarmos qualquer movimento íntimo nesse sentido, é porque não saímos da personalidade, não estamos "no ponto": lutemos para conseguir dominar essas emoções, que são sempre inferiores.
Traçado está, pois, o caminho que leva à perfeição: amar os inimigos, mas amá-los realmente, e não apenas de boca; fazer bem aos que nos odeiam, mas beneficiá-los de fato, com preces sinceras; abençoar os que nos amaldiçoam, mas abençoar do fundo do coração, reconhecendo o bem que nos fazem, quando nos causam sofrimento e, portanto, quando nos ajudam a queimar e resgatar nossos carmas; orar pelos que nos difamam, pedindo ao Pai que lhes proporcione paz e felicidade, em quantidade e intensidade maiores que a que nos forem doadas pessoalmente a nós mesmos. E assim, com ilimitada generosidade, emprestar, se o pudermos, embora sabendo que não receberemos ressarcimento; saudando a todos cortesmente, ainda que não recebamos resposta, ou mesmo ouçamos desaforos, mas continuar delicadamente saudando a todos com respeito e humildade.
Só assim, diz Lucas, seremos "filhos do Altíssimo", isto é, nos assemelharemos ao Pai, pela bondade e pela misericórdia.
A conclusão "sede misericordiosos como o Pai" explica o "sede perfeitos como o Pai"; de fato, a perfeição do Pai, que podemos imitar, reside apenas em suas qualidades que estão ao nosso alcance: O AMOR-MISERICÓRDIA e também a HUMILDADE. Essas, podemos vivê-las com perfeição, quando soubermos renunciar à nossa personalidade, negar nosso eu pequeno, e viver de modo absoluto na individualidade, no Espírito, unificados com a Centelha Divina, que é nosso EU real e profundo.
 

Carlos Torres Pastorino

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Diplomado em Filosofia e Teologia pelo Colégio Internacional S. A. M. Zacarias, em Roma.
Professor Catedrático no Colégio Militar do Rio de Janeiro e Docente no Colégio Pedro II do Rio de Janeiro.

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