Ter, 11 de Abril de 2017
Rua Delfino Facchina, 61 (Cidade Ademar) - Americanópolis - São Paulo/SP - CEP 04409-080
Renuniões Públicas
Tarde 2ª, 3ª, 4ª, 6ª e Sábado: das 14hs30 às 16hs00
Noite 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª das 20hs30 às 21hs30 
Renuniões Públicas
Tarde 2ª, 3ª, 4ª, 6ª e Sábado: das 14hs30 às 16hs00
Noite 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª das 20hs30 às 21hs30 

Sobre Fabiano

perfil.jpg
FABIANO DE CRISTO
(08/02/1676 – 17/10/1747) 

João Barbosa (Soengas, Portugal, 8 de fevereiro de 1676 – Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1747), popularmente conhecido pelo seu nome religioso de Fabiano de Cristo, foi um frade da Ordem dos Frades Menores. Ainda jovem emigrou para o Brasil, onde desenvolveu um trabalho de dedicação e amor ao próximo. 

Conforme o costume católico de dar-se às crianças o nome do santo em cujo dia nascem, o menino recebeu, na pia batismal, o nome de João, porque, naquele dia, a Igreja celebrava a festa litúrgica de São João da Mata. 

Filho de Gervásio Barbosa e sua esposa, Senhorinha Gonçalves, foi um dos seis filhos do casal, e o único homem. A sua família havia sido abastada, mas à época sofria limitações financeiras e, por essa razão, o jovem não teve oportunidade de dedicar-se aos estudos. 

A infância de João Barbosa foi simples. Família pobre, cinco irmãs. Tomava conta do pequeno rebanho de ovelhas do pai. Trabalhava de sol a sol, dormia muito cedo, acordava com a aurora. Na pureza do campo e na simplicidade da natureza, aprendeu a docilidade e a meiguice próprias de um pastor, que mais tarde empregaria no trato com os homens.

Aos domingos, o culto na igreja e o descanso quase religioso em casa, preparando as ferramentas para o dia seguinte.

Ninguém sabia ler na aldeia. Foi o padre quem lhe ensinou as primeiras letras e as primeiras contas. João alcançou a adolescência, a idade dos sonhos e aspirações. Parece que despontou no rapaz o desejo de restabelecer a antiga nobreza dos antepassados. Mas não seria em Soengas que isso poderia acontecer. 

Por isso, a cidade do Porto, cheia de vida, a três horas de caminho, atraiu sua atenção. Para lá se dirigiu e passou a trabalhar como conferente de cargas em uma firma que se dedicava à exportação de especiarias. Era o início do ciclo do ouro no Brasil e, ouvindo dos marinheiros as notícias da riqueza e das oportunidades além do Atlântico, decidiu emigrar. Com mais dois sócios, meses depois, desembarca na cidade do Rio de Janeiro.

Mas fixou residência na Vila de Parati, ponto de partida do chamado "Caminho Velho". Em suas buscas conheceu as cidades de Ribeirão de Nossa Senhora do Carmo (atual Mariana) e Ouro Preto, experimentou diversas atividades. Tornou-se negociante da carreira das minas. Suas atividades estavam relacionadas ao comércio, importação e exportação, que ele conhecia bem, em função de suas experiências na cidade do Porto. Em poucos anos, João já estava senhor de pequena fortuna. 

Com 28 anos de idade, fazia parte da Irmandade do Santíssimo Sacramento. Vinculara-se ao pároco da Paroquial Igreja da Vila de Parati. Muito devoto das almas do purgatório, conseguiu erguer a Irmandade da Boa Morte. Longe de cair como miserável cativo da avareza, João Barbosa era conhecido em Parati pela sua generosidade.

Os planos de João eram de trabalhar mais alguns anos e regressar a Portugal com suficiente fortuna para alterar a situação de sua família. Mas aí Deus entrou em sua vida de forma diferente e alterou o plano do homem. O trabalho espiritual exercido em Parati foi mudando as concepções de João. Foi sentindo cada vez mais forte o convite à caridade. 

Um acontecimento trágico veio pôr fim às suas hesitações. A morte por assassinato de um sócio e companheiro seu, por motivos desconhecidos, fez com que João ficasse profundamente abalado e percebesse como os bens materiais não significam nada diante da grandeza de Deus.

Certo dia, ao retornar para casa, após haver auxiliado financeiramente uma família necessitada, encontra uma pessoa abandonada no chão. Num impulso de solidariedade, abaixa-se e agasalha o estranho em seus braços.

Tentando acalmar o desconhecido João fala:
   - Vamos amigo, não tenha medo, procurarei ajudá-lo.

Sentindo uma energia estranha João prossegue e o homem lhe diz:
  - Fui vítima de assalto.

João retruca:
  - Não fale agora. Aqui perto há uma hospedaria. Lá será mais confortável e mais fácil tratá-lo.

Uma vez na hospedaria, João passa a noite ao lado do enfermo que em meio a delírios de febre lhe diz:
  - Finalmente vens de encontro ao meu regaço.

João assusta-se:
  - Mas quem é o senhor que parece conhecer-me?

E para sua surpresa, o estranho lhe diz:
  - Sou aquele a quem há muitos séculos serves. Voltastes a procurar-me porque cansaste de juntar bens materiais, mas vieste ao meu encontro por procurares atender os aflitos, aplacando a fome do corpo. Mas seu coração inundado de luz alcança muito mais. Para continuar a servir-me, vai onde a dor é imensa. Enxuga as lágrimas maternais, ensina o caminho do Bem a quem desviar-se por arrastamentos e tentações inferiores. Vê que é chegada a hora para ti, de encontrar o verdadeiro tesouro que está nas Leis do nosso Pai.

João insiste:
  - Mas quem é o senhor afinal?
  - Eu sou o Cristo, meu filho e voltei para buscar-te e lembrar-te de tua verdadeira missão. A todos que servires, será a mim que estarás servindo. Portanto, dá tudo o que tens e terás a vida eterna. Terás-me por inteiro, e dessa forma trabalharemos juntos a servir o nosso Pai. – responde o desconhecido.

Em prantos, João refletiu sobre as palavras do “doente”, que entretanto desaparece sem deixar esclarecimentos. Passa o dia sem poder esquecer aquele encontro, na noite foi passada em claro. Quando o dia está para nascer João conseguiu adormecer e teve um sonho estranho. Vê-se num lugar muito bonito e, à sua frente, um ser luminoso com um hábito marrom que lhe estende a mão sorrindo. Reconhecendo a figura, João cai de joelhos e exclama:
  - Francisco de Assis!
  - Pois bem, meu irmão - diz Francisco de Assis -, se seu coração anseia em amparar os aflitos e servir ao Senhor Jesus, vem comigo.

Ao que João retruca:
  - Mas tenho que despojar-me dos bens terrenos.

E Francisco lhe fala mansamente:
  - Os bens da vida eterna é que devem ser entesourados, Barbosa. De agora em diante, o Evangelho será o teu tesouro maior. Não percas mais tempo. Aplica-o na prática da caridade maior, entre todos. Tu não precisarás mais percorrer muitos lugares para falar da paz e do amor de Cristo. Muitos irão procurar-te e irás orientá-los para que encontrem o Reino de Deus. Para que trabalhes com tranquilidade, o teu trabalho será de cargo singelo. O teu coração nutrir-se-á de paciência e resignação. O teu corpo sofrerá para que liberto seja o teu espírito das tentações da carne.

Aos poucos as palavras de Francisco de Assis foram tornando-se incompreensíveis e a figura desapareceu.

João Barbosa acordou assustado, mas com uma paz indizível. Surgiu então em sua mente o Convento de São Bernardino de Sena, não tendo dúvida de que era ali que deveria se entregar ao Cristo! Dividiu a sua fortuna em três partes: a primeira foi enviada a Portugal, para a família e outros acertos; a segunda, foi destinada à obras de caridade; e a terceira foi distribuída entre os pobres. A 8 de novembro de 1704 apresentou-se à portaria do antigo Convento de São Bernardino de Sena, em Angra dos Reis. Foi admitido como noviço. No dia 12 de novembro de 1705, João Barbosa mudou o nome para "Frei Fabiano de Cristo".

No final do ano de 1705, foi transferido de Angra dos Reis para o Rio de Janeiro onde veio a desempenhar a função de porteiro do Convento de Santo Antônio.

Ali, por volta de 1708, assumiu o cargo de enfermeiro, muito embora não tivesse conhecimento sobre o assunto. Na enfermaria, como em todos os cargos que ocuparia, o seu amor seria exemplo de dedicação. Optou por dormir na própria enfermaria a fim de ficar junto com os doentes, noite e dia, caso algum deles precisasse de seus cuidados. Serviu nesse posto por quase trinta e oito anos.

Por longo tempo, contentava-se em dormir em qualquer lugar da enfermaria, para que, dia e noite, pudesse estar à disposição dos doentes. Assim, pouco dormia.

Andava rezando na enfermaria com os pés descalços, alegando que, com as sandálias, acordaria os enfermos. Afirmava que era necessária a observância do silêncio. Por mais que procurasse ocultar, muitos testemunharam suas virtudes, exemplificadas na humildade, obediência e na dedicação.

Após anos de serviço, desenvolveu uma erisipela crônica nas pernas, que o impedia de maiores movimentos, acentuadamente na perna esquerda, qualificada como mais que monstruosa. Na perna direita se lhe originou uma grande e horrorosa chaga, que vertia continuamente copioso pus. Ainda nas pernas, sofreu em seguida de outro incômodo não menos doloroso: um quisto num dos joelhos que, de acordo com os médicos era devido às horas que permanecia de joelho a orar. Embora tendo lhe sido recomendado repouso, não reduziu as horas de trabalho em benefício do próximo. Nunca se queixou de dores, apenas de não poder trabalhar mais na enfermaria. O joelho doente foi submetido a quatro operações, sem anestesia, inexistente à época.

Frei Fabiano atingira a casa dos 70 anos de idade. O mês de outubro de 1747 trouxe agravamento em seu estado de saúde. Desde o dia 14, Frei Fabiano já anunciava que partiria em três dias. Nesses três dias, Fabiano, na enfermaria, alenta ânimos desfalecidos. Pensa chagas abertas e sorri, em doce e terna alegria, na despedida aos doentes. Beija crianças. Afaga velhos esbatidos pela dor. Encoraja os que choram. Ampara os desesperançados.

Tal como ele próprio havia previsto, desencarna no dia 17 de outubro de 1747, por volta das duas da tarde. 

Afirma-se que se despediu do Superior do Convento e pediu-lhe para abraçar, um por um, todos os enfermos e companheiros da enfermaria um dia antes de sua morte. A sua ossada ainda se encontra no Convento em que passou maior parte de sua vida e não são poucos os que ali vão para pedir a cura de enfermidades ou graças. 

Na quarta-feira, dia 18 de outubro, desde o amanhecer até às dez horas da noite, a população da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro acorreu ao Convento de Santo Antônio, com exclamações de vamos ver o Servo de Deus, Frei Fabiano.

 

Galeria de Fotos

  • 3.jpg
  • 4.jpg
  • 2.jpg
  • 1.jpg
  • 5.jpg
  • img1.jpg

Livros