Qui, 16 de Agosto de 2018
Rua Delfino Facchina, 61 (Cidade Ademar) - Americanópolis - São Paulo/SP - CEP 04409-080
Renuniões Públicas
Tarde 2ª, 3ª, 4ª, 6ª e Sábado: das 14hs30 às 16hs00
Noite 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª das 20hs30 às 21hs30 
Renuniões Públicas
Tarde 2ª, 3ª, 4ª, 6ª e Sábado: das 14hs30 às 16hs00
Noite 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª das 20hs30 às 21hs30 

Mediunidade

Diversidade dos Carismas

Diversidade dos Carismas
Autor: Hermínio C. Miranda


Atualizado: 16/08/2018

206- CAPÍTULO XV

PSICOFINIA
8. ATIVIDADE MEDIÚNICA - EM DESDOBRAMENTO, À DISTÂNCIA 

Há casos em que a entidade a ser tratada não se encontra no recinto da reunião, e sim no seu reduto. Regina percebe logo, ou é informada pelos amigos espirituais responsáveis pelo trabalho, que terá de ser desdobrada e levada até onde se encontra a entidade com a qual se deseja o diálogo. É lá, onde o espírito tem suas instalações e o seu grupo, que é promovida a ligação perispírito a perispírito, e é de lá que a comunicação é transmitida ao corpo físico, junto à mesa de trabalho mediúnico.

Como esses casos são, usualmente, muito marcantes, ela guarda alguns episódios na lembrança.

Terminados os preparativos para a reunião, o orientador espiritual comunicou-lhe que iriam 'sair', que Regina o acompanhasse. Ela informou o doutrinador, perguntando-lhe se devia ir. A resposta foi pronta, sumária, e positiva: - Sim. Regina desligou-se do corpo e saiu.

Retirou-se da sala de trabalhos por uma porta lateral - que ela informa não ser a que existe no plano físico e, sim, outra invisível - e, após caminhar algum tempo, chegaram a uma região onde o terreno era bastante acidentado. O amigo espiritual trazia uma pequena lanterna semelhante a um lampião a querosene ou gás com uma alça por cima e o foco luminoso dentro de uma campânula de vidro.

Desceram por um barranco, percorrendo uma trilha estreita e barrenta. Era possível divisar pequenas cavernas, mais abaixo, simples buracos abertos no barranco. O amigo espiritual caminhava à frente e Regina a um ou dois passos atrás. Entraram numa das cavernas. Era exíguo o espaço lá dentro e havia símbolos e apetrechos de magia por toda a parte. Foi pelo menos a impressão que ela teve daquele estranho instrumental.

Ao fundo, um pequeno altar ou coisa parecida. No centro, sentava-se, imóvel, uma figura humana de aspecto assustador. Era um homem de nariz adunco, expressão fatal indescritível, vestindo um manto indefinível.

Dormitava, no alto da sua cabeça, um corvo negro e soturno. Tranquilizada pela presença do amigo espiritual. Regina não se sentiu apavorada e manteve-se calma.

Foi daquele sinistro cenário de pesadelo que a comunicação se transmitiu.

De outra vez, ela foi levada ao encontro de uma entidade que fora, 'em vida', um homem terrível, cujo nome a história registrou precisamente pelo vulto das suas façanhas bélicas e suas conquistas territoriais. Ele estava com que plantado em pleno deserto, sozinho, à sua espera.

Sua primeira impressão foi aterradora, mas logo percebeu - provavelmente os dirigentes espirituais do grupo lhe transmitiram algo a respeito - que todo aquele aparato não passava de uma 'fachada' para impor respeito. Aparentemente, o atrabiliado guerreiro estava já esvaziado de seus impulsos. O simples fato de poder ser abordado por um grupo mediúnico, em trabalho, já servia para dar o tom seu estado de espírito.

Embora ainda resistam e reajam, os espíritos em tais condições já estão começando a ceder ao cansaço, ao enfado, ao desencanto, e dispostos a dar uma parada para pensar e até reiniciar a marcha renovadora, em busca de outros horizontes.

Mas, lá estava ele, ainda impressionante, de pé, espada à cinta, desafiador. Um dos olhos estava coberto por uma tira de pano escuro, como os artistas costumam figurar os piratas. Foi dali, daquele remoto ponto na sua 'geografia' pessoal que a ligação foi feita para que o doutrinador, lá na mesa de trabalho, pudesse falar com o antigo líder.

Outra experiência assustadora para Regina foi seu encontro, em desdobramento, para servir de médium junto a uma comunidade de bruxos. Saíra a caminhar, sempre sob a proteção do orientador espiritual do grupo, até que se encontrou numa clareira, em plena floresta densa e escura.

Chegaram a um ajuntamento de espíritos de aparência soturna, vestidos de maneira estranha, mascarados ou encapuzados. Um deles empunhava um estandarte de cor amarelada, no qual se desenhava uma caveira. A curiosa "procissão" caminhava sob uma luz baça que mal permitia distinguir certos detalhes, de repente, eles começaram a dançar um ritual com a óbvia intenção de intimidá-la.

Desse ponto em diante - até aí ela descreveu todas as peripécias ao doutrinador - ela não se lembra de mais nada. É que o chefe daquela fantástica confraria das sombras acabara de 'incorporar-se', isto é, estabelecer com ela as ligações perispirituais para dialogar com o doutrinador.

Em outra oportunidade, Regina foi levada a um 'campo' onde o espírito com o qual estava programado o contato havia 'enterrado' dezenas de pessoas que ele assassinara, quando encarnado. Só esta incrível façanha é suficiente para evidenciar o vigor de sua mente e a relativa facilidade com a qual manipulava os recursos da hipnose.

Não só conseguiu arrebanhar suas próprias vítimas - certamente comprometidas, também gravemente, perante a lei - como reduzi-las à inação, convencendo-as a se deixarem 'enterrar'. A terrível entidade estava de plantão debaixo de uma árvore e dali não concordava em arredar o pé. Feita a ligação, pôde ser doutrinada. Já na reunião seguinte, foi possível levá-lo à sala mediúnica, obviamente indignado, porque o haviam afastado - segundo ele, pela violência - de seus domínios.

Por motivos inteiramente diversos, também os contatos com alguns mentores ocorrem por incorporação ou ligação à distância, como já vimos. Uma dessas entidades, por quem a médium tem uma ternura muito especial e antiga - Regina foi sua filha em agitado período da civilização egípcia -, certa vez comunicou-se dessa maneira.

Encerrara-se o atendimento da noite aos espíritos necessitados, quando Regina divisou, ao longe, através de um cone luminoso, a figura da entidade. Foi de lá mesmo que ela começou a transmitir-lhe seu pensamento, mas não por incorporação ou contato espiritual e, sim, por palavras, via telepática. Ela parecia 'falar' e Regina repetia o que ouvia, como uma intérprete.

A entidade, porém, preferiu modificar o processo para que a comunicação fosse mais nítida, logo Regina sentiu-se desdobrada e levada até o espírito.

Via-se, ela própria, como uma adolescente, com cerca de quinze anos de idade, vestida com uma túnica leve e esvoaçante, à moda egípcia, que lhe descia até os joelhos. A entidade estava num local à beira mar, em frente a um lindo bosque. Sentou-se em um banco e Regina sentou-se ao seu lado, não feliz que não conseguia articular uma só palavra.

O espírito puxou-a para si, deitou-lhe a cabeça em seu colo e começou a acariciá-la mansamente. A partir desse momento, ela percebeu que, através de seu corpo, lá na sala mediúnica, a comunicação chegava aos demais companheiros. Foi um momento inesquecível para ela. De volta ao corpo, foi vencida pelas emoções e começou a chorar, sufocada.

De outra dessas comunicações também ela se lembra. Fora levada até determinado local por um caminho iluminado. Subitamente, aproximou-se venerável entidade que parou a poucos passos dela. O espírito ergueu o braço direito e começou a transmitir o seu pensamento enquanto o 'alto falante' do corpo físico, junto aos companheiros encarnados, reproduzia o teor da mensagem.
 

Livro dos Médiuns