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Mediunidade

Diversidade dos Carismas

Diversidade dos Carismas
Autor: Hermínio C. Miranda


Atualizado: 12/07/2018

VOLUME II
201- CAPÍTULO XV
PSICOFINIA
4. DESENROLA-SE O TRABALHO 

Terminadas suas breves recomendações - ele não é nada prolixo - retira-se suavemente. Regina experimenta apenas um ligeiro movimento do tronco para trás e, em seguida, para frente, ou seja, o mesmo balanço que experimentou quando ele se preparava para falar por seu intermédio. No momento seguinte, ela se encontra novamente 'dentro' do corpo físico. O mentor coloca-se, então, à sua direita e ali permanece durante o desenrolar dos trabalhos da noite, sempre atento, vigilante, seguro, tranquilo.

É chegado, então, o momento de começar a receber as entidades que vêm para tratamento. Faz-se uma pausa e Regina procura silenciar a mente, como se a esvaziasse de qualquer pensamento a fim de poder entregar-se ao trabalho. Normalmente, ela não percebe, visualmente, a entidade que se aproxima. Sente a presença de alguém, pelo que os médiuns costumam caracterizar como 'vibração’ ...

E começa novamente aquela sensação de que a mente está se levantando da cadeira da frente para ir sentar-se na fila de trás, a fim de dar lugar a alguém. Ao contrário da incorporação do mentor, que se processa com a maior suavidade, acompanhada de uma leve sensação de balanço e expansão, a manifestação de entidades desarmonizadas é rude e impactante, logo que se ligam a Regina, ou seja, quando suas auras entram em contato, ela experimenta um forte choque como se tivesse tocado um fio elétrico desencapado.

Ela tem a impressão de que é esse choque que a retira bruscamente do corpo. Às vezes, já fora do corpo, sente dificuldades na garganta, como se alguém estivesse a remexer com ela ou como se estivesse engasgada. Certamente isto resulta das manipulações um tanto inábeis do manifestante nos centros nervosos que comandam a fala.

Ocorre, a essa altura, certo baralhamento na sensação de presença no ambiente. Ela está e, ao mesmo tempo, sente não estar ali; o corpo físico, à curta distância, é seu; mas, naquele momento, ela não parece dominá-lo e controlá-lo. Está ligada a ele, sim, mas sem ter à sua disposição os comandos respectivos.

Percebe que o corpo fala, gesticula, argumenta, enquanto ela é simples espectadora do que se passa. Sente-se independente, ou seja, é dona dos próprios pensamentos e de sua maneira de ser. Nada está alterado na sua personalidade e na sua maneira de considerar as coisas. Frequentemente, discorda do que está sendo dito através de seu corpo, mas não consegue interferir. Se quiser gritar, por exemplo, ou dirigir-se ao doutrinador, como já experimentou certa vez, não o conseguirá.

Do seu ponto estratégico, e perfeitamente lúcida, percebe o que se passa na reunião, tanto ostensiva como secretamente. Ou seja: nota alguns atentos e interessados no desenrolar da tarefa, os que estão contribuindo com a sua quota de amor fraterno no tratamento do espírito em desarmonia, ou os que estão impacientes ou 'desafinados', por qualquer motivo.

Percebe ondas de energia irradiando-se do coração de alguns e que se dirigem ao seu corpo físico, 'onde' se encontra a entidade em tratamento.

Sente, por outro lado, a repercussão dos males 'físicos' de que se queixa a entidade ou, mesmo quando ela não dá voz a essas queixas, embora sinta as dores correspondentes. É curioso que não consegue falar se o espírito manifestante não tem língua, por ter sido cortada em alguma encarnação passada; gagueja, se o espírito teve esse problema; parece embriagada ou drogada, se é esse o caso com o espírito; e assim por diante.

Experimenta não apenas o desconforto físico das mazelas 'orgânicas', mas, também, estados de aflição, angústia, desespero, revolta ou ansiedade. É difícil livrar-se dessas verdadeiras 'contaminações' físicas e psíquicas, dado que as sensações fluem de um perispírito para outro, através das 'tomadas' que ligam as auras.

Às vezes, ela percebe quadros vivos e cenas de intensa dramaticidade como se estivesse assistindo a um filme, enquanto a entidade fala pelo seu corpo, que está ali como um boneco de marionete sendo manipulado por outra inteligência que não a sua, através de cordões que lhe são invisíveis.

Em se tratando de espíritos profundamente desarmonizados, raramente tais cenas são tranquilas. Ao contrário, algumas são realmente dolorosas e até chocantes: assassinatos brutais, execuções frias, torturas, gente acorrentada, incêndios, um horror! Tudo como se estivesse acontecendo ali, naquele mesmo momento, ao vivo, vê a entidade em pranto e percebe que as lágrimas estão escorrendo pelas suas próprias faces, naquele corpo que, ao mesmo tempo, é e não é seu. E acaba se comovendo com essas aflições.

É certo que, com seu aguçado estado de acuidade enquanto desdobrada - percebe até sentimentos e intenções dos circunstantes - é capaz de acompanhar, em todas as suas minúcias, o desenrolar do diálogo entre o espírito manifestante e o doutrinador.

Curiosamente, no entanto, ao regressar ao corpo físico e retomar seus controles, tem apenas lembranças fragmentárias do que se passou. Só mais tarde, à medida que os companheiros comentam a reunião e repassam um ao outro detalhe mais relevante, ela começa a reconstituir alguma coisa a respeito.

Mas é como se procurasse se recordar de um sonho do qual acaba de despertar, juntando pontas soltas e costurando os pedaços uns nos outros com a intenção de obter uma noção mínima do que se passou. É que as ideias, conceitos e lembranças que constituem o diálogo, não se originaram na sua mente e nem mesmo 'passaram' por ela, de vez que ela continuou a pensar e observar com inteira autonomia, como vimos, e em perfeita consciência da sua posição de dona do corpo, mas, parcial e temporariamente desligada dele.

Não sei se, caso feita uma regressão da memória com ela, seria possível reconstituir o diálogo entre o espírito e o doutrinador. Tenho minhas dúvidas de que isto fosse possível, porque esse diálogo não está na sua memória, e sim, na do espírito. Seria difícil registrar toda a conversa e as emoções alheias, ao mesmo tempo em que pensa e observa com a sua própria mente. Nunca consegue, assim, reconstituir toda a comunicação. De volta à casa, após encerrado o trabalho, procura não se fixar demais, mesmo nos aspectos mais relevantes que, porventura, tenha guardado na memória.

Livro dos Médiuns